Internos do sistema prisional do RN iniciam curso superior

O sistema prisional do Rio Grande do Norte está avançando em ações de ressocialização através da educação. Na tarde desta terça-feira, dia 30, por meio de videoconferência, dez pessoas privadas de liberdade participaram da aula inaugural do curso de Tecnologia em Gestão ambiental do Campus Zona Leste do IFRN, na modalidade Educação a Distância (EaD), com duração de seis semestres. Os internos, homens e mulheres, estudarão todos os dias nas próprias unidades prisionais, em espaços específicos, sob supervisão dos policiais penais.
Na aula inaugural, o titular da Secretaria da Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio Filho, deu as boas-vindas aos internos e agradeceu o empenho de toda equipe do IFRN, Seap, Poder Judiciário e Governo do Estado. “O IFRN comprou o desafio de levar a educação ao sistema prisional. Isso é raro quando se trata de inclusão de pessoas privadas de liberdade. É um marco na história do sistema prisional do Rio Grande do Norte”, falou.
A aula reuniu os aprovados no processo de seleção, sendo cinco da Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó, e cinco da Penitenciária Agrícola Doutor Mário Negócio, em Mossoró. A juíza das Execuções Penais de Mossoró, Cinthia Cibele, classificou o momento como histórico. “O que a gente celebra hoje é extraordinário. Eu espero que isso seja só o começo de um grande caminho a ser trilhado. Para chegarmos até aqui foi preciso muita convergência de esforços”, disse.
Na videoconferência, professores e coordenadores do IFRN falaram sobre o planejamento do curso, o calendário acadêmico e como será feita a entrega do material didático. O diretor-geral do Campus Zona Leste, professor José Roberto Santos, destacou o poder transformador da educação para as pessoas privadas de liberdade. Além das aulas à distância, o IFRN promoverá aulas práticas nas unidades prisionais.
A Seap viabilizou os espaços físicos adequados, a tecnologia necessária para a realização das atividades do Curso e a segurança dos envolvidos. “Só a educação vai transformar essas pessoas. Não é fácil a pessoa estar presa e buscar ânimo e vontade para estudar dentro de uma cela”, disse Pedro Florêncio.